Valéria Chociai: frases que me cansam

PorOpinião

18 mar 2021

Olá!

Meu nome é Valéria Chociai e a partir de hoje estaremos juntos mensalmente para conversarmos, ou melhor, para que eu desabafe com você, sobre as FRASES QUE ME CANSAM.

Mas do que se tratam essas frases? Vou ter que voltar um pouquinho no tempo para poder te explicar tintim por tintim como cheguei a elas. Pode ser até bom para que você também conheça um pouquinho mais sobre quem vos fala para além daquela coisa chata de curriculum e talz… apesar da Vanessa Ricarte já ter falado sobre mim aqui no portal considero válido eu mesma contar um trecho da minha história.

Há pouco mais de 10 anos, enquanto lia um romance autobiográfico, tive um insight que mudou radicalmente minha própria definição de sucesso, que até então era pautada nos moldes do comercial de margarina. Descobri que era possível ser feliz de uma forma muito mais simples do que a que eu conhecia e comecei a mudar o modo de ver a minha própria vida como um todo.

~ Comunidade ~ Natureza ~ Tempo ~ Simplicidade ~ Prazer ~

Mas de ter uma definição de sucesso, seja lá qual for ela, até atingi-la, bem, isso já são outros quinhentos.

Confesso que achei bem complicado ser simples. Quer dizer, de certa forma ainda acho. Porque eu, pelo menos, não fui educada pra isso. A minha casa era de ovelhas negras, então ainda havia um contraponto, mas a sociedade na qual eu me encontrava inserida – e ainda me encontro – tinha outros planos pra mim. Burocracia, consumismo e uma positividade que estamos finalmente descobrindo ser no mínimo tóxica são apenas alguns exemplos. Além disso, mea culpa, essa nova versão de sucesso ainda não era a minha prioridade – eu ainda estava totalmente identificada com parte da visão antiga e, pior, nem percebi!

O resultado? Pelo menos uma longa década assentando tijolo por tijolo do meu próprio processo de simplificar e desacelerar. Contei com a ajuda de medicação e meditação, terapia, workshops, treinamentos, pesquisas, bons amigos e, quando tudo isso por fim ainda se mostrava insatisfatório, busquei formações mais técnicas que hoje me possibilitam compreender um pouquinho melhor o que há por trás do e de ser humano.

Um momento crucial na minha própria aventura rumo à desaceleração aconteceu no início de 2019. Comecei a notar que eu já não me encaixava em grande parte da minha antiga rede de relacionamentos. Meus sonhos e objetivos, meu modo de experimentar a vida, nada disso mais dava liga. Então, foi no fictício anonimato da internet que comecei a encontrar cada dia mais pessoas com as mesmas buscas que eu. E foi inclusive quando o tabu em torno de se admitir a necessidade de descanso capturou a minha atenção.


Ainda no final de 2019 dei uma pausa no meu intenso e profundo relacionamento de mais de 20 anos com a gastronomia para me presentear com um ano sabático. Além disso, coloquei minha cara à tapa em um perfil do Instagram e fiz da formação de uma comunidade desacelerada um dos meus objetivos de 2020.

E então veio a pandemia.

Pausa para um profundo suspiro.

Algumas (só algumas) das consequências da pandemia na minha vida:


  • Estou alugando meu apErtamento na Grande São Paulo para chamar de meu um quartinho com vista para Serra da Mantiqueira e trilha sonora de passarinhos cantando 24×7 na casa de mamãe, no interior de Minas Gerais. Era para ser uma estadia temporária, apenas durante o período de isolamento, mas depois de 4 meses, mesmo saindo de casa apenas para o absolutamente essencial, estava apaixonada pela cidade e não via mais razão para, digamos assim, retroceder.

  • Quanto ao sabático, meu esquema de um ano foi levemente reformulado, ganhou um fermento e virou algo em torno de três… sim, eu sei que sou privilegiada, mas não se engane: também teve muito preparo para transformar isso em realidade.

  • Se antes o mantra geral era PRODUZA, com a pandemia passou a ser DESACELERE. Tá. Eu adoro, concordo e já tinha até abraçado a causa como minha, afinal já havia encontrado abrigo e suporte debaixo do guarda-chuva do Slow Movement, mas duas coisas começaram a me incomodar profundamente: primeiro, o cabo de guerra entre as duas turmas, como se produzir e desacelerar não fossem complementares, faces de uma mesma moeda. Além disso, o fato de jogarem o DESACELERE no nosso colo, como se fosse algo simples, instantâneo e até mesmo óbvio. Porque é tão fácil falar, né? Não sei você, mas esses discursos vazios me tiram do sério – olha uma pista das frases que me cansam aí!

  • Como resposta a esse meu incômodo comecei a escrever um livro com tudo que tinha aprendido sobre desaceleração nesses mais de 10 anos estudando, testando e quebrando muito a cara, mas tendo um sucesso considerável também. Só que tanta coisa aconteceu durante o período de escrita e revisão do material que percebi que o três-meia-cinco, como carinhosamente chamo o projeto, não deveria vir ao mundo como um livro. Seria muito pouco para ele e para quem fosse embarcar em sua jornada. Ele merecia mais leveza, fluidez e, principalmente, suporte e interatividade. Saí então à procura de possibilidades dentro e fora do mercado editorial e finalmente fui encontrar acolhida num formato todo modernoso hospedado em rede social.

  • O Instagram virou minha segunda casa, plataforma através da qual eu dissemino informações sobre desaceleração e produtividade saudável, desmistificando um monte de abobrinha (sim, comentário pleníssimo de julgamento) que eu mesma fui aprendendo (equivocadamente) ao longo da minha caminhada… e nesse perfil, quando faço posts sobre as FRASES QUE ME CANSAM é quando tenho o retorno mais bacana da galera, que se identifica e se sente acolhida com meus desabafos cheios de argumento. É por isso que quando fui convidada a escrever colunas periódicas de cara pensei em trazer essas minhas divagações para compartilhar e, cereja do bolo, sem o limite de caracteres de outras redes sociais! Yupi!!! Desde já peço perdão, porque eu posso ser um tantinho prolixa de vez em quando – mas cansei de tentar ser perfeita, você me entende, né?

E assim cá estamos, eu e você, às portas de um novo relacionamento que espero ser repleto de afeto real, apesar do ambiente virtual – se não for para fazer conexões genuínas, eu nem desbloqueio a tela do celular!

Slow hug, ou seja, um abraço muito lento, carinhoso e aconchegante, e até breve!

Val

P.S.: Como é nosso primeiro contato, talvez você possa achar válido ter algumas informações mais específicas ao meu respeito, então segue o lindo release com o qual minha assessora de imprensa me presenteou.

“Graduada em Hotelaria, Valéria Chociai descobriu a alta gastronomia nos estágios obrigatórios que fez durante a faculdade. A partir daí apaixonou-se pela área e especializou-se em Administração de Restaurantes com cursos de Administração de Serviços pela University of British Columbia, MBA em Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a University of Ohio e Gerenciamento de Serviços e Segurança Alimentar pela Disney University de Orlando.

Trabalhou em diversos restaurantes, tanto no Brasil como no exterior, e passou os últimos 15 anos como chef e gestora do La Pasta Gialla de Alphaville, na Grande São Paulo.

Durante esse período desenvolveu ainda mais suas duas outras paixões: viagens e desenvolvimento pessoal. Criou uma empresa digital com foco na elaboração de roteiros de viagem personalizados, se tornou mentora e, principalmente, estudiosa da Slow Life.

Valéria é co-autora do livro METAMORFOSES DA MATURIDADE e atualmente mima copiosamente sua filha de 4 patas, Maria Mole. Seu tempo restante é dividido entre a facilitação da jornada vivencial 365 CONVITES PARA DESACELERAR, a formação em Psicossíntese pelo Centro de Psicossíntese de São Paulo, a divulgação da Slow Life e a desaceleração radical de sua própria vida através da vivência do segundo de seus 3 anos de sabático, levemente reformulados por causa dessa tal de pandemia. De Figueira, mas parida em Ibaiti e registrada em Curiúva, não é de se admirar que tenha rodinhas nos pés e esteja em busca de uma vida nômade mesmo aos 43 anos de idade”.

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