De artista de rua a PhD em música: violonista brasileira consolida carreira internacional

PorRedação

13 abr 2021
Foto: Sophian Ferey

A artista profissional, reconhecida internacionalmente, tem como objetivo incentivar as pessoas pela arte e transmitir seus conhecimentos, adquiridos em sua trajetória de vida e de seus mais de 12 anos de estudos acadêmicos


“Enquanto os médicos curam o corpo, a música cura a alma e, nesse mundo, tem muita gente que precisa ser tocada pelos artistas e por ela”. Essa é a crença que move Anna Murakawa, musicista, empresária, produtora, compositora, expert em alta performance, digital influencer e violinista, referência no cenário da música clássica brasileira e com reconhecimento internacional. Nascida na cidade de Osasco, em São Paulo, e de família simples e humilde, Anna começou a tocar o instrumento aos 13 anos de idade, ao se inscrever e entrar no Projeto Guri, programa governamental da cidade metropolitana, que oferece, gratuitamente, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos, cursos voltados para o aprendizado de diferentes instrumentos musicais e da música como um todo.

“Eu era o terror dos professores, por questionar tudo o que era ensinado e gostar, desde sempre, de conhecimento e de aprendizado. Então, quando apareceu essa oportunidade, por meio de um aviso do meu tio, que é professor de teatro, eu fui atrás e entrei. Até hoje eu lembro da cena de estar na frente da casa dele, imitando, de forma desengonçada, como é tocar um violino, sem nem mesmo ter entrado no projeto ainda. Então, foi inevitável que, logo na primeira aula, esse tenha sido o instrumento que me atraiu. Foi a partir daquele momento que me encontrei na vida”, conta a profissional que, atualmente, aos 30 anos, soma 17 anos de carreira, possui PhD em música com foco em aprender a como aprender e é fundadora da Anna Murakawa Academy, espaço digital em que ela desenvolve e oferece cursos que compartilham todo o conhecimento que adquiriu ao longo da vida e de seus estudos.

Desafios e conquistas

Fluente em sete línguas – português, inglês, búlgaro, francês, italiano, russo e espanhol -, Murakawa já morou em quatro continentes diferentes, enquanto estudava com os melhores professores de música do mundo. Entre os principais países responsáveis por sua trajetória, estão a Bulgária, os Estados Unidos e a Austrália, local onde mora atualmente e onde tocou, nas ruas e estações de metrô, quando era apenas uma estudante que precisava de renda para se manter e seguir seu sonho e propósito. “Foi a oportunidade que tive de experimentar uma conexão completamente diferente com o público. Estar tão perto das pessoas faz com que muitas delas sorriam, falem com você e agradeçam por fazer o dia delas melhor. Mas, apesar de gratificante, essa experiência teve muitas coisas ruins também. Os perigos que existem nas ruas, mesmo aqui na Austrália, foram o que me fez decidir parar de tocar dessa forma. Eu me sentia muito assediada. Tinha homens que chegavam a tocar no meu braço e querer me impor a jantar com eles por eu estar ali naquela posição de vulnerabilidade por precisar de dinheiro”, conta Anna, que chegou a ser atacada por um homem durante uma performance, que foi marcada como a sua última nas ruas.

Hoje, Anna atua como professora na Universidade de Sydney e é proprietária da Bravo Music Events, produtora criada pela artista depois dela ficar desapontada com algumas situações que acontecem na indústria da música na Austrália. Foi por conta do seu processo de mudança de visto no país, inclusive, que a violinista passou a ser ainda mais conhecida e conquistou os seus mais de 510 mil seguidores. Isso porque quando Anna terminou o seu PhD, precisava trocar o visto de estudante para permanecer no país. Sua escolha foi pelo de Talento Distinto, visto que é voltado para pessoas que se destacam em sua profissão – seja na arte, no esporte, ou em outras modalidades. Porém, o processo não foi tão tranquilo quanto o esperado pela musicista.

“Eu tenho um doutorado, já trabalhei em vários países, já toquei com diversas orquestras e com nomes grandes do mundo da música clássica e pop, então, era um portfólio gigante. Mesmo assim, recebi a carta de recusa que dizia que, apesar da minha carreira parecer ser muito boa, eu não tinha relevância nas redes sociais como um artista internacional. Eu não conseguia entender como eu não era reconhecida como profissional depois de tudo o que eu tinha passado e feito, além de todos os sacrifícios durante a minha trajetória, que não foi nada fácil. No fim, eu tinha duas opções: 21 dias para tentar reverter a situação ou 28 dias para deixar o país. E eu resolvi lutar e tentar. Abri a câmera do meu Instagram e contei para as pessoas que o meu visto havia sido recusado e pedi, para as que acreditassem em meu trabalho que compartilhassem as minhas redes sociais e pedissem para os amigos me seguirem. E, assim, meu perfil viralizou, fazendo com que eu ganhasse o apoio de muitas pessoas e artistas de todos os cantos do mundo, me tornando reconhecida e conseguindo recorrer ao visto, que está quase em mãos”, relembra Murakawa.


Apesar da “fama” nas redes sociais ter acontecido por meio de uma adversidade da vida, a artista vem sendo cada vez mais reconhecida pelo o que ela é, pelo seu trabalho e pelo o que a sua história pode passar para as pessoas. “Eu quero ser um exemplo de determinação, força, resiliência e de que vale a pena lutar pelos nossos sonhos, de que pessoas ordinárias podem se tornar extraordinárias, de que uma violinista, mesmo que de família humilde, pode se tornar uma artista internacional. Eu quero quebrar barreiras e mostrar que todo mundo pode apreciar o violino e, realmente, mostrar essa face diferente do instrumento para pessoas que, muitas vezes, não a conhecem. Eu quero ser famosa, mas não simplesmente pela questão egocêntrica, mas, sim, pelo alcance, pensando que, quanto mais pessoas eu alcançar, mais voz eu posso ter e mais eu posso tocar as pessoas, atuando como uma influência positiva na vida delas”, complementa.

Dos projetos atuais, a violinista lançou na Anna Murakawa Academy o “Chaves do Progresso”, curso digital para quem busca aprender a como aprender, para as pessoas que querem se aprimorar em alguma expertise, de forma rápida e prática, se livrando da procrastinação e colocando em ação metas e hábitos em direção aos seus sonhos e objetivos. Já para o futuro, a artista sonha grande e quer continuar quebrando barreiras que muitos julgam como impossíveis. “Ainda quero tocar em diferentes palcos e estádios, lançar diferentes álbuns, fazer parcerias com artistas de diferentes gêneros musicais e alcançar o máximo de pessoas possíveis. A academia, em breve, terá cursos de violino e de música. Também quero poder criar projetos similares aquele pelo qual eu comecei e fundar academias físicas de música no Brasil. Tudo com a música como o centro e a raiz do meu coração”, finaliza a musicista, que já performou com Ivete Sangalo, Toquinho, Família Lima, Eminem, Michael Bublé, One Republic, Delta Goodrem, Jessica Mauboy, Samantha Jade, entre outros artistas renomados nacionais e internacionais.

Fonte: Assessoria

Redação

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