Chef e empreendedora Mariana Pelozio se destaca por sua ‘cozinha de vó’ com toque autoral

PorRedação

6 abr 2021
Mariana Pelozio é referência nacional com seu restaurante Duas Terezas. Foto: divulgação

À frente do restaurante Duas Terezas, Mariana é reconhecida por ser uma das principais chefs mulheres no comando de uma cozinha renomada em São Paulo


São Paulo/SP – Dona do restaurante Duas Terezas, casa reconhecida em São Paulo pela culinária criativa e afetiva, Mariana Pelozio se destaca pelo tempero “de vó” em seus pratos, mas também, pela sua determinação. Atualmente com 33 anos, foi a única mulher a participar da final do reality show Hell’s Kitchen em sua versão brasileira, em 2016, e é uma das poucas chefs mulheres no comando de uma cozinha renomada em São Paulo.

Apaixonada por cozinhar desde criança, aos 9 anos, encontrou o livro de receita de sua avó Tereza e preparou de cara um suflê de espinafre. Naquele momento já descobriu sua ligação especial com a gastronomia. “Eu amei aquela brincadeira de misturar coisas e daquilo sair um resultado”, relembra a chef. Aos 11 anos, já fazia as compras no mercado e na feira, além de cozinhar para o irmão mais novo em casa.

Com o passar do tempo, a vida acabou afastando Mariana dessa paixão, em busca de estabilidade. Formou-se em Administração e Marketing e passou para a rotina corporativa com reuniões e salto alto. “Eu sentia que faltava algo, então eu larguei tudo e me joguei no meu sonho. Me formei pelo Senac no curso Cozinheiro Chef Internacional e descobri um pouco mais da culinária do meu país numa pós-graduação em Cozinha Brasileira”, conta.


Seguindo sua intuição, Mariana foi dizendo sim para oportunidades inusitadas, entre elas, a participação do reality show Hell’s Kitchen, pelo qual ficou reconhecida. No programa, pôde ver na prática o quanto era capaz de ultrapassar seus próprios limites e, com essa inspiração, mais uma vez se conectou com sua paixão de criança, quando decidiu ser dona do seu próprio negócio no segmento da gastronomia.

“Eu sempre tive uma veia empreendedora. Lembro que quando tinha 6 anos, ganhei vários marcadores de papel em forma de macaquinhos. Pedi permissão para o meu pai para que eu pudesse vender os marcadores na loja em que ele trabalhava, então montamos uma caixinha e eu vendi vários aos clientes”. Essa alma empreendedora a levou a criar o Duas Terezas, o restaurante que traz o nome de suas duas avós.

Uma mulher à frente da brigada

Em um mercado repleto de “homens no comando”, Mariana, assim como diversas chefs mulheres, enfrentou – e enfrenta – o machismo do segmento para se estabelecer.

“Já aconteceu de uma pessoa que precisava que o responsável do restaurante decidisse questões burocráticas, ir até a cozinha e se dirigir ao meu funcionário homem, pressupondo que ele fosse o chef ou o dono do restaurante. No início, os clientes me viam e pediam para eu chamar o chef e, em reuniões sem o meu marido, já me perguntaram se eu precisava esperar que ele chegasse ou se eu podia decidir ‘sozinha’”, revela a chef. Contudo, nada nisso a desanimou. 

Com determinação, Mariana persistiu e, em menos de três anos, seu negócio passou de um trailer no extinto complexo Vila Butantã para um imóvel no Jardins e, recentemente, no meio da pandemia a mudança para uma charmosa casa, na Alameda Lorena. Com uma simplicidade e garra que se vê de longe, a empreendedora faz de tudo um pouco em seu restaurante, extrapolando os limites da cozinha. Sem limitar suas habilidades, além do Duas Terezas, Mariana dedica seu tempo com outras atividades que ama: o canto, o cavaquinho, o judô e a yoga.

Longe do “glamour” do título de chef, ela acompanha tudo o que acontece e vive com sua equipe como se fosse a extensão da sua família. Com essa gratidão por todos que à cercam, Mariana fez com que “família” fosse o conceito de seu negócio. Intitulado com o nome das avós, o restaurante se inspira não só no nome, mas nos temperos, ingredientes e na decoração.

Com uma grande bagagem cultural na gastronomia, a comida predileta da chef é o cuscuz nordestino bem sequinho, que aprendeu a comer em casa e, por causa dessas raízes, sua comida e seu negócio se pautam no aconchego familiar. “O Duas Terezas não é parede, não é um teto, ele é feito de gente”. Por isso, em seu restaurante recebe a família, clientes fiéis, amigos, fornecedores e até o padre de sua igreja, com o qual realiza trabalhos voluntários.


Pandemia e resiliência

Em 2020, a pandemia surpreendeu a todos e deixou grandes prejuízos para o setor dos restaurantes. Afetada por essa situação, Mariana sentiu a crise na pele e teve muitas noites mal dormidas até conseguir se reestabelecer. Chegou a pensar que perderia o negócio, mas aos poucos, com ajuda de parceiros, conseguiu retomar às atividades, desta vez no novo endereço, com espaço amplo e área externa, mais seguro aos clientes e funcionários.

Agora, para 2021, as ambições ficam um pouco de lado “Essa pandemia me deu uma nova perspectiva. É muito bom crescer e evoluir profissionalmente, mas nesse momento, eu só quero que a minha família e a minha equipe fiquem em paz, com saúde e alegria em me ajudar a manter o meu sonho de pé”, conta a chef.

Para traduzir o novo momento do restaurante, o endereço na Alameda Lorena traz uma estética inspirada na xilogravura nordestina. Na parede da área externa, o desenho de São Francisco de Assis, grande líder religioso conhecido pela sua humildade, abençoa o empreendimento e faz com que a chef não se esqueça do que realmente importa.

Fonte: Assessoria

Redação

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