Bióloga pós-doutoranda da USP defende inclusão de mais mulheres na ciência

PorRedação

26 abr 2021
Foto: divulgação

Em todo o mundo, apenas 7% dos ganhadores do prêmio Nobel são mulheres


Por que a presença feminina é cada vez mais rara em campos como a Ciência? “As mulheres continuam precisando de espaço para mostrar que podem trabalhar e que podem pesquisar. Continuamos lutando por igualdade de gênero nas universidades, nas empresas, onde estivermos”, levanta a bandeira a bióloga Francyne Elias-PieraA igualdade de gênero faz parte da Agenda 2030, que é um plano de ação da ONU para erradicar a pobreza mundial por meio de 17 objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. A meta é lembrar das meninas e das mulheres e dar valor a elas e a todos os trabalhos que realizam. 

Francyne é mestre em Oceanografia Biológica pela Universidade de São Paulo e Doutora em Ciência Ambiental pela Universitat Autònoma de Barcelona. Desde 2000 ela pesquisa os invertebrados da Antártica e já participou de 5 expedições com o Brasil e a Coréia, ficando nas Estações de Pesquisa ou embarcada em navios polares. Desde os 8 anos de idade ela coleciona matérias sobre a Antártica, sua verdadeira paixão, e já quando entrou na faculdade de Biologia se decidiu por trabalhar com Biologia Marinha. No segundo ano da faculdade, ao assistir uma palestra sobre as baleias na Antártica, sua paixão ficou ainda mais latente e ela decidiu que seu sonho seria trabalhar com o Continente. Viveu na Coréia do Sul por 2 anos e foi a única latina pesquisadora do Instituto de Pesquisa Polar Coreano.

Hoje, Francyne é pós-doutoranda na USP e fundadora do Instituto Gelo na Bagagem, a primeira plataforma de educação e entretenimento antártico com site, canal no Youtube e perfil no Instagram. Pelo Instituto, ela incentiva, desde 2010, a formação de novos pesquisadores antárticos no Brasil, no México e no Chile por meio de palestras e cursos presenciais e online. Já proferiu palestras científicas na Espanha, Nova Zelândia, EUA, Malásia e Coréia e sua experiência internacional tem empoderado muitas meninas e mulheres mundo afora.

“Eu acredito que o primeiro passo que todos nós temos que dar para termos mais mulheres de destaque no mundo é deixar que as meninas escolham ser o que quiserem, inclusive pesquisadoras! As mulheres têm muito mais graduações que os homens, mas somente 29% delas se tornam cientistas no mundo e apenas 7% dos ganhadores do prêmio Nobel são mulheres”, afirma a bióloga. “As poucas meninas que têm coragem de assumir sua vontade de se tornarem pesquisadoras enfrentam o mundo ao seu redor as desencorajando a estudar Ciências. As poucas que superam e entram na faculdade, muitas vezes, não terminam porque são desanimadas por professores ou escutam tanta piada dos amigos que desistem”, completa

E à medida em que as mulheres avançam na carreira profissional, elas vão encontrando cada vez menos mulheres pelo caminho. No Brasil, apenas 30% das Universidades Federais têm ou tiveram uma reitora. ”E quando as meninas se formam em Ciências e conseguem fazer Mestrado ou Doutorado, elas também vão ficando pelo caminho porque, muitas vezes, não existe incentivo nem institucional e nem dos colegas, inclusive das colegas mulheres”, afirma Francyne.

O fato é que muita coisa mudou e as mulheres não precisam mais passar pelo que Dawn Rodney passou na década de 50, quando o chefe do projeto a convidou para ir à Antártica e ela teve que ser aprovada pelos colegas de expedição e suas esposas, mas, segundo Francyne, grande parte das mulheres da área ainda escutam que mulheres no laboratório ou no navio perturbam a paz e tiram a concentração dos homens. “Até a década de 80, diretoras de institutos, isso mesmo, mulheres, proibiam mulheres de irem para a Antártica”, afirma. 

Outro motivo pelo qual as meninas não se interessam em ser pesquisadoras é a falta de modelos e exemplos de mulheres cientistas – elas não têm em quem se espelhar e continuam achando que cientista é “aquele homem branco com cara de louco”.  “Este cenário está mudando aos poucos com as redes sociais apresentando pesquisadoras. “Atualmente, na pandemia, a maioria dos pesquisadores que tiveram destaque na descoberta do DNA do vírus, da vacina e de medicamentos foram mulheres e sabemos disso por meio de posts e notícias”, afirma Francyne. “As mulheres precisam se unir para mudar este cenário, praticando sororidade e ajudando mais mulheres cientistas, divulgando seus trabalhos e incentivando meninas a estudarem Ciências”, finaliza Francyne.

Sobre o Instituto Gelo na Bagagem

O Instituto Gelo na Bagagem tem o propósito de criar consciência ambiental sobre a Antártica e os oceanos e ajudar as pessoas a darem seus primeiros passos em ações sustentáveis. Criado pela bióloga Dra. Francyne Elias-Piera, é a primeira plataforma de entretenimento antártico que oferece cursos e palestras sobre o tema, além de disponibilizar conteúdos gratuitos no Instagram e no Youtube. Por meio de uma linguagem lúdica e divertida, ela conta em suas palestras pelo mundo como foi sua experiência em cinco expedições à Antártica. Seu trabalho atinge públicos de várias idades, proporcionando entendimento e reflexão sobre o tema e intensificando a adoção de práticas de preservação ambiental.

O objetivo do Instituto Gelo na Bagagem é ensinar que sobre a integração das pessoas ao planeta e mostrar que as ações de todos interferem no meio ambiente e, inclusive, no ecossistema antártico.

Fonte: Assessoria

Redação

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